Terça-feira, Novembro 10, 2009

Nei Lopes - De Letra e Música (2000)




















01 Senhora liberdade, com Zé Renato e Wilson Moreira
02 Goiabada cascão, com Toque de Prima / Coisa da antiga (Wilson Moreira - Nei Lopes)/No tempo do dondom (Nei Lopes)
03 Senhora da canção, com Alcione e D. Ivone Lara
04 Tempo de glória, com João Bosco
05 Debaixo do meu chapéu, com Arlindo Cruz e Sombrinha
06 Loura Luzia, com Dunga
07 Samba do Irajá, com Chico Buarque
08 Gostoso veneno, com Martinho da Vila
09 Minha arte de amar, com Fátima Guedes
10 Moqueca de Idalina, com Zeca Pagodinho
11 Sonho de uma noite de verão, com Guinga
12 Gotas de veneno, com Emílio Santiago
13 Fumo de rolo, com Dudu Nobre
14 Ganzá do Seu Leitão, com MPB-4 / Mocotó do Tião (Wilson Moreira - Nei Lopes)
15 Fidelidade partidária, com Joyce

Apesar de não figurar nos holofotes da mídia, Nei Lopes pode ser considerado um nome de peso para a cultura nacional, seja na sua produção musical de valorização do samba, seja no seu incansável trabalho de pesquisador das diásporas africanas nas Américas, temas constantes nos livros que publicou. Nascido em 1942 e formado em direito, não demorou muito para largar o caminho da advocacia para guiar-se como compositor de música popular, e mais tarde escritor. O sambista e letrista surgiu em 1972, e desde então possui mais de 300 composições gravadas por diversos intérpretes, como Zezé Motta, Alcione, Gilberto Gil, João Bosco, entre outros. Sendo também cantor de suas próprias canções, Nei possui parcerias de músicas e palcos com diversos artistas, destacando Guinga, Dona Ivone Lara, João Bosco, Chico Buarque, Martinho da Vila, dentre outros. Com uma vasta produção literária, Nei Lopes é considerado um dos maiores escritores das africanidades no Brasil, pesquisador tanto das matrizes bantos, quanto iorubanas. Um dos primeiros e essenciais ensaios de sua bibliografia é “Bantos, Malês e Identidade Negra”, lançado em 1992 e recolocado no mercado pela editora belo-horizontina Autêntica, em 2007. O “Novo Dicionário Banto do Brasil” foi lançado em 1999, tornando-se uma das principais referências para estudiosos desse tronco lingüístico que é responsável etmologicamente na formação de inúmeras palavras do português brasileiro. Já em 2004 lançou “A Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana”, obra que atende a demanda recente da obrigatoriedade do ensino das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras com a promulgação da lei federal 10.639/2003. Em 2005, o autor lançou “Kitábu, o livro do saber e do espírito negro-africanos”, em que passeia pela cosmologia do cotidiano africano. Entre os estudos sobre o samba, lançou “Sambeabá: o samba que não se aprende na escola” (2003) e a biografia “Zé Kéti: o samba sem senhor” (2000).

Nei (Braz ) Lopes, autor e intérprete de música popular, nasceu no subúrbio de Irajá, Rio de Janeiro, RJ, em 9 de maio de 1942. Bacharel pela Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, no início dos anos 70 abandonou a recém-iniciada carreira de advogado para dedicar-se à música e à literatura. Compositor profissional desde 1972, notabilizou-se principalmente pela parceria com Wilson Moreira e pela obra gravada por quase todos os grandes intérpretes do samba tradicional. Nos anos 80 foi um dos impulsionadores, como prático e teórico, do chamado "pagode de fundo de quintal", que levou de novo o samba, com nova roupagem, às paradas de sucesso. Intérprete de suas próprias obras, tem gravados, em dupla com Wilson Moreira, os lps "A Arte Negra de Wilson Moreira & Nei Lopes" e "O Partido Muito Alto de WM & NL" (EMI, 1980 e 1985, reunidos em CD em 1995); e, individualmente, os álbuns "Negro Mesmo" (Lira-Continental, 1983), "Canto Banto" (Saci, 1996) "Sincopando o Breque" (CPC-UMES, 1999) e "De Letra & Música" (Velas, 2000) . Na década de 1990, abrindo ainda mais o leque de suas parcerias, onde já sobressaíam os nomes de Cláudio Jorge e Zé Luiz, e procurando romper a barreira do preconceito que imobiliza a produção de sambistas oriundos das escolas, Nei iniciava prolífico trabalho ao lado de Zé Renato e Guinga, entre outros nomes mais identificados com o segmento rotulado como "MPB". Além disso, desde os anos 80, é um dos dirigentes da AMAR-SOMBRÁS, sociedade de gestão autoral brasileira da qual fazem parte, entre outros grandes nomes, os compositores Chico Buarque, Aldir Blanc, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho e Paulo Cesar Pinheiro. E paralelamente à atividade de compositor, Nei Lopes, sócio correspondente do CICIBA, Centro Internacional das Civilizações Bantu, com sede na República do Gabão, é escritor de vasta obra toda centrada na temática afro-brasileira e compreendendo ensaios como "O Samba, na Realidade" (1981), "Bantos, Malês e Identidade Negra" (1988), "O Negro no Rio de Janeiro e Sua Tradição Musical" (1992), "Zé Kéti, O Samba Sem Senhor" (2000), "Logunedé; santo menino que velho respeita"(2000), além de um "Dicionário Banto do Brasil" (1996) e um volume de poemas "Incursões sobre a Pele" , também de 1996, entre outras publicações. Desde 1995, Nei trabalha na elaboração da "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana", sua obra mais ambiciosa, a qual contempla centenas de verbetes sobre o universo do samba e do choro. Em 2001, Nei Lopes participou do projeto que resultou no Cd "Ouro Negro", em tributo ao legendário Maestro Moacir Santos.Essa participação, além do texto de apresentação do disco,traduziu-se em cinco elogiadas letras, escritas para melodias do Maestro, e que resultaram em canções gravadas respectivamente por Milton Nascimento,Gilberto Gil,Djavan, Ed Motta e João Bosco.

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